A gestão de riscos e a captação de recursos para as entidades assistenciais

Marco Aurélio Gomes Barbosa


Em nossa sociedade, desconfia-se de todos e de tudo. Nada que possa ser condenado já que, realmente, vivemos simultânea e antagonicamente nas eras da comunicação e da incerteza. Quando menos se espera surgem escândalos de desvios e corrupções dos mais variados setores, muitos dos quais deveriam servir de exemplos. Para não ser redundante ao falar de algumas falcatruas tupiniquins, vou citar os escândalos contábeis ocorridos nas gigantes norte-americanas Enron e Worldcom, ambos considerados um dos maiores “golpes do colarinho branco” de todos os tempos contra a economia nos EUA. Estas organizações fraudaram suas demonstrações contábeis e tiveram a conivência de uma das maiores empresas de auditoria independente do mundo, o que levou a SEC (Securities and Exchange Commission) – equivalente à nossa CVM – a publicar a Lei Sarbanes-Oxley (SOX).
A SOX pretende moralizar e, principalmente, responsabilizar os envolvidos em fraudes e escândalos que possam prejudicar a terceiros ou à economia. Esta lei não possui efeito em nosso território, porém, despertou mundialmente a necessidade do gerenciamento dos riscos como forma de prevenção a situações perigosas e fortaleceu os conceitos da Governança Corporativa.
Estes fatos tão distantes de nós parecem não influenciar em nada nossas vidas, porém, vejamos: Em Rio Grande, existem diversas entidades de assistência social que desempenham seus trabalhos de forma exemplar. Estas organizações dependem de recursos financeiros captados na nossa sociedade. Surpreendentemente tomei conhecimento de que a maior parte das doações partem de pessoas físicas e não das empresas que atuam em nossa região.
Analisando a informação anterior pergunto: O que falta para ampliar a captação dos recursos junto às empresas?
A resposta a esta pergunta é bastante complexa e envolve diversos fatores, mas dentre estes podemos citar a falta de transparência na gestão de algumas entidades. Não interpretem este fato como algo sombrio ou mal intencionado, na verdade este fator é decorrente da falta do conhecimento específico. A organização transparente é aquela que publica suas informações contábeis, demonstra a sua situação financeira, enfim, torna pública sua saúde econômica oferecendo, dessa forma, maior confiabilidade às empresas que pretendem vincular seu nome à instituição através da diminuição dos riscos.
Por fim, deixo um recado às entidades assistenciais, nossa cidade possui muitas empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços, outras tantas devem chegar com o abençoado crescimento do nosso pólo de construção naval, preparem-se para bater nestas portas, corram atrás de suas qualificações. Ao começar mais um exercício, exijam de seus contadores um balanço patrimonial e as respectivas demonstrações contábeis e notas explicativas referentes ao exercício de 2006 registradas na Junta Comercial do Estado, tornem estas informações públicas através de jornais. O trabalho de vocês por si só já é excelente, apenas demonstrem isto aos outros.


Marco Aurélio Gomes Barbosa
  



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